Google+ Pictuelle Photography: Moicano no banho, lambidinho nas ruas.

16 de junho de 2012

Moicano no banho, lambidinho nas ruas.

Obs.: Aos que admiram uma boa ¹glostora, seja para fazer algo mais ²punk ou para arrumar tudo nos devidos milímetros, nada contra seu gosto. Penso que cada um tem o direito de usar o cabelo da forma que achar conveniente. A intitulação que foi dada a este é figurativa e não tem pretensões escarninhas; palavras marcadas por números encontram definição ao fim do texto.

Tudo começou com um shampoo... Passava-o em meu cabelo e então se formou uma quantidade de espuma incomum e profusa – embora o tanto de shampoo que usei não fosse nada mais do que o coloquial –, suficiente para armar um belo moicano. Mas não, não o fiz. O que improvisei, na verdade, foi o título dado a este texto, que precisou de reflexão e que julguei ótimo, bastante original. O título tem intenções inimagináveis se olharmos feito avestruzes, fazendo vista grossa. Mas parando e refletindo, pode-se notar que o negócio tem dimensões maiores do que parece.

De fato a hora do banho é quando muitos aproveitam para fazer coisas incomuns. O moicano talvez seja o preferido na lista de “coisas estranhamente feitas no lavo”. Já vi até comunidades ³internéticas organizadas especialmente aos adeptos da modalidade. Acontece que muitas pessoas adorariam desfilar com este visual pelas ruas, mas não o fazem. Por quê? A resposta é simples: vergonha ou medo.

A sociedade moderna impõe, através dos meios de comunicação de massa como a TV e internet, entre outros, o que você, cidadão, deve ou não fazer. Ou seja, estão te robotizando, literalmente programando para seguir um padrão – e isto é feito em grande tiragem. Nem sempre isto acontece de forma explícita, muitas vezes a mensagem é subliminar. O que é isto, hipnose à distância?

O processo de hipnose é bastante simples: funciona movido a inveja. Segundo alguns filósofos, o simples fato de você parar numa vitrine e apreciar aquele sapato da moda já é demonstração de admiração, que está totalmente associada à cobiça, palavra que tem como sinônimo a “inveja” e, entre outros, até “olho gordo” segundo dicionários de sinônimos. A TV, por exemplo, nada mais faz do que mostrar belos sapatos em belas mulheres, roupas em canastrões... O famoso, por ser admirado por muitos, suponhamos, possibilita o sentimento de “querer ser igual” vestindo as mesmas vestes do famoso ou através de outro meio. Este é o objetivo de quem provoca a inveja: alimentar o capitalismo, aumentar o lucro.

E aí, em meio a este pressionamento de massa, os que queriam ser diferentes, acabam se omitindo – até mesmo de fazer o bem, já que as novelas, por exemplo, e principalmente, tratam a violência com tal suntuosidade que parece ser linda; o bem, então, vai ficando excluído enquanto o mal ocupa seu lugar. Há pessoas que queriam exibir um lindo moicano, mas limitam-se ao normal, ao que todos usam, por medo de serem malvistos ou julgados – falando em linguagem figurada.Diferente!

O mundo não precisa dos 4mesquinhos, mas sim dos que fazem a sua diferença. Imagine se todos acordassem todos os dias, comessem uma maçã e voltassem a dormir. Seríamos todos iguais, faríamos as mesmas coisas. Que tipo de contribuição estaríamos dando ao mundo? Estaríamos como nos primórdios se nos limitássemos a isto. E na verdade, isto não está muito diferente da realidade. Faça a sua diferença, ajude-nos a evoluir, pois parece que o ser humano ainda não se deu conta do que ele é capaz.

Ao falar em moicano, não me refiro ao penteado, mas sim no “diferente”, não só no físico, mas no intelecto. Dê a sua própria forma aos seus pensamentos, fazendo neles um topete ou cortando a franja. Mas não deixe que os outros decidam qual será o penteado do seu pensamento.

O que faz este texto é tentar fazer você ver que você pode mais, pode ser o dono do seu próprio moicano, ou seja, fazer a sua diferença; fazer você ver que os meios de comunicação de massa te querem como súditos fiéis, literalmente controlados por eles. Não os permita! Estão invadindo seu cérebro e limitando seu autocontrole! Você é dono de si, tome as rédeas de sua vida.


1-glostora (ó): expressão criada por meu avô e usada para se referir a gel, creme ou qualquer outra substância usada com a finalidade de se passar no cabelo, fixando-o, dando-o brilho ou outro; 2- punk: característica dos adeptos a um movimento rebelde surgido na Inglaterra em 1970 que têm em comum o cabelo – geralmente penteado de forma rebelde, como o moicano –, as roupas e acessórios; 3- internéticas: diz-se de coisas próprias da internet. 4-mesquinhos: banais, quaisquer, que não fazem diferença.

*Definições sem quaisquer fontes, sendo de conhecimento do próprio escritor.


Humor: ornamentando o “humor” com cores fortes e vibrantes, descrevo um dia agitado e divertido; sobrou ao “r” e aos “:” uma cor mais serena, que demonstram alegria e aconchego; sinto uma dose não tão grande de arrependimento, que nem sei se é digno de ser sentido, que contradiz o sorriso omitido, que não se mostra no rosto mas resplandece n’alma.

Obrigado pela atenção, leitor… Qual o seu penteado?